Execução Sumária

Suspenderam todos os motivos!
Iam nos levar aos inquéritos,
Não quiseram que fôssemos a referência!
Tiraram o nosso pão, tiraram a nossa água…
Obrigaram-nos a que nos despojássemos da virtude!

Queimaram nossos livros das estantes,
Urraram pelos corredores,
E estivemos lá, escondidos, em nós!

Em nós atados!!!
Suspensos em forquilhas,
Traumatizando o nosso simples!
Obrigaram-nos a conviver com o silêncio!

Mastigamos as injúrias e as injustiças, cuspimos!
Os nossos ouvidos foram lançados na surdez…
Riamos feitos tolos!
Riamos de insanos!
Envolvíamos em Araks e turbantes…
Nebulosamente esquecíamos de tudo que era ruim!
Dos encontros em bibliotecas fomos perseguidos!
Ou das leituras em parques distantes, éramos clicados!

Eram sempre os mesmos: nós!

Nós que escrevíamos tanto:
Invejaram nossos ideais!
Nós que cantávamos tanto:
Gritavam: -“Silêncio!”
Únicos nas praças!
Entre tantos cegos e pelegos,
Mutilaram a ideologia!

Muitos tombaram,
Entre os muitos, nós!

Os nossos filhos se encheram de lágrimas,
Umedecemos nossas vestes com a vergonha,
Vergonha que na nossa terra os nossos olhos têm!
Existem abortivos modos de matar a liberdade: é negando pão!

(Mai: 16, 1988)

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