Vale dos Ateus: em busca de um retorno amor! – V

V – Meus Lamentos

Não sei o gosto da partida.
Quando em meu leito recebo uma visita,
Alma bela e formosa senhora que me olhas,
Os olhos se dilatam, e minhas horas…
Esgotam-se,
Não preciso de saídas…
Um beijo leve paira em minha face…
Não reconheço, creio ser só uma visita!

Salivas amargas me prendem no vazio,
Criando-me raízes que se proliferam
Na mais inútil fera que me transformei!

Arranca logo minhas vísceras mundanas
Para te esquecer ao vinho o porto que te vi!
Se me puseram horas não tento altera-las
A natureza mudou o curso do esquecimento…

Enchem-me os olhos de visagens,
Contorço-me em engrenagens sílabas,
E o sulco bêbedo que retirei furtivamente,
São rosas coagidas que não serão mais perfumadas…

Vasos se quebraram e tornaram-se lixos,
O chão no rescaldo inválido me atordoa!
Como querer ser um raro amante teu,
E não conseguir,
E não tentar…

Anos que se passam,
E se estampa em minha memória
O logro da aparência espessa de antes,
E teus gestos me contaminavam de paixão
E dançavam a dança dos ateus,
A dança dos ateus intelectuais,
A dança das atéias mundanas,
A dança das pocilgas anfitriãs,
Numa prisão selada por risos sem sentimentos,
E foram-me esculpidas as rugas
Que trago hoje em minha vida!

(Dez: 09, 2003)

Uma resposta to “Vale dos Ateus: em busca de um retorno amor! – V”

  1. Quanto prazer eu sinto em tuas poesias.

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