Poema da Sustentação – VIII

VIII– Os Milagres

Às vezes mais que um simples amante
Que lapida um coração de vidro
E quando trinca perde seu valor cortando
E vai sangrando pelo peito afora!

Precisava de um tempo só pra mim
E na realidade nosso tempo se esgotou,
Fico à margem de um vazio muito triste
Esperando acontecer um só milagre!

Sem mais querer ferir meu coração injusto
De sobrevivência aos teus penhores vãos
Digo que partirei vagando hoje
Pois estou cansado de querer buscar!

Adeus como de despedida de adeus
Num só momento imaginei tão sóbrio
Na seriedade de morrer sozinho
Sem ter alguém que irá morrer tão só!
(Ago: 18, 1981)

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