Poema da Sustentação – V

V – O Álibi

Hoje me perco doentio na espera
A quem quiser as minhas horas vãs
Se hoje sofro, sofro por quimeras
Nas falhas minhas, as minhas manhãs!

Às vezes nasço sempre num poema
Teimando às vezes o temor do frio
A febre cobre todo meu sistema
Que me acoberta a morte por um fio!

Não forço nem ao coração que ataque
Pelo sofrer me trouxe cicatriz
És testemunha deste meu embarque
Te prenderia às garras que te fiz!

Volte-me como volta de passagem
Largando as malas todas pela estrada
Leve-me então contigo de bagagem
Que num contágio a alma se faz grata!

(Mar: 26, 1981)

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