Perfumes ao Vento (ou Rastros de Adeus) XVI

XVI – HOJE

 I
Me magoei
Fingindo ser
Teu próprio ser…
Se não soubesse
O quanto é dose
Amanhecer,
Queria então,
Jorrar meus prantos
Em tua planta,
Formata-te em sílabas,
Sonhar-te em versos,
E crer no quando…

Criar no fundo
A base toda,
Uma palavras
Me emudece
No teu deserto
Agora úmido…
Se unifica
Nesta erosão
Partindo o peito,
Partindo o gesto!

II
Tento colírios
Vagando à toa,
Sonhadoras,
Somente vás,
Vão caminhando
Comendo ruas,
Na tua face…
Correndo frias
E mais difíceis
Em minha face!

E solto vai,
E vem teu hálito
Que vai fluindo
Intransitivo,
Que cravejando
Àquele álibi
Que ali tentei
Furtar teu fruto…

III
E, não tornou-se
Igual prazer
Sendo tão nômade,
Somente nomes
Vários sinais
Tangendo risos,
Frisos d’olhar!

Meio sonâmbulo
Há tantas coisas
Que não consigo
Despertar medos
Querendo ou não,
Murmuro só!

IV
É tão silvestre
Tua maneira
Que vou sentindo
Um ser selvagem
Dilacerando
As minhas células
Num só rugido! (…)

Rompem manhãs!
Tudo é normal;
O tempo torce
E se distorce,
Formando brisas
De uma garapa
De uma palavras
Que não tem gosto!

V
Tez de maçã
Tão orvalhada
Na própria chuva
Real bebida…
Real cicuta!

VI
Resta dizer
Que docemente
Teu corpo entoa
Aquele sonho
De olhar tristonho,
Que tem garoa
Que tem o vento
Em girassóis
De invernada…

VII
Me dói por dentro
Pelas paredes
A sede áspera
De não beber
Na tua boca
Outras palavras
Que no silêncio
Tu me sussurras:
-“Eu também quero!”

(Ago: 02, 2001)

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