Perfumes ao Vento (ou Rastros de Adeus) XIV

XIV – JUÍZOS

I
Creio que me pus em mesa rústica
A gota que faltava do cálice,
Julgando para não ser julgado;
O difícil é abdicar o peso
Pois o peso não te leva e nem trás…
O peso torna-se o dobro a cada caminhada
Sem saber por si quem resiste?

Começo pouco a pouco me transportar
Por esferas polinizadas de perdão…
Não mereço tão sublime verso
Que não cogite teu corpo elementar!
Meu beijo te percorre no etéreo
Ao beijo antes que se pretendia,
Teu mar flutua ao que se pretendia!

Teus olhos, ah! Teus olhos que brisa tem…
O transparece arbóreo que se ata em chama
No fruto que se torna fruto,
Fruto das consciências básicas do outono!
Meu presságio reivindica tudo que é belo.
Mesmo sendo velho como as talhas
Que nasceram “La Pietá”, me sinto agora!

II
Seiva bendita seiva, percorrendo tua carne!
Voz aveludando meus ouvidos quando fujo,
Quando volto me desespero em te sentir,
Como aura que tonteando o ser te diviniza
Pondo-nos no mais perfeito ato.
Ajoelhando posso me sentir ao chão de tuas vinhas,
Beijo-te como se não houvesse horas, nem tempo!

Meu presságio exterioriza em forma agressiva
Cortando minhas palavras, e se tomba o cálice
Atirando-me o vinho, o pão embebecido verte,
O vértice de minha vã filosofia!
Tranco-me nesta batalha irremediável
Mostrando-me falsas armaduras
Scalibur no palco psiquiátrico do ser!

Mãos que se deslizam, desligam
Num abalo sísmico de formas e presságios,
Mais uma vez o cavaleiro golpeia-me
Ferindo a mim e ao meu Kavalluz!
A luta se cronometra por uma reluscência
Justapondo nossas mãos num único aríete.
Bendito por tua voz e única musa!

III
Agora sei porque me distancio de teus rosados,
Maneiras vulgares e vulgarmente me cresci!
Tua pele roçando em meu rosto pálido
Quer decifrar o enigma das supremas cortes,
Aliando-me aos teus veneráveis mestres
Criara o sortilégio casto de maças,
E gradis nos murais floridos dos teus jardins!

Escapa-me agora a sede de falar-te um pouco
Sobre as paixões pintadas pelos corredores,
E pena sonhava no tinteiro o pergaminho
De falar-te em tudo, em tudo que ouvi…
Teus súditos me olhavam víboras repentinas!
E por entre as mãos entrelaçavam os dedos
No anseio de furtar-te ao menos uma noite!

(Jul: 23, 2001)

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