Adágio Inacabado para Um Amor Completo

I
Tudo começa com borbulhar constante,
E no constante a roda gira muito mais…
Espada presa em suas garras diz: -“Vitória!”
Ilumina com fogo árduo seu semblante,
Tônica do Verbo na coifa interior:
U’a esperança que desperta do vazio
O completar de luz e olhos infinitos!

II
Fontes claras jorram da íris em compasso,
No martelar constante, constante, constante,
Qual pêndulo lapidado em cristal azul,
Goteja o eco pelo tempo sem temer
Que em pouco tempo a energia se transmuta…
Esvoaçantes teus espaços se condensam em mel!

III
E alquimistas, e resplandecentes águias voam
Num vôo rasante vão pairando encontros turvos,
Ilhando o âmago passivo dos mistérios
Na infinita e suprema natureza…
Lutas, lutas rompem com estampir do medo
O súbito suspiro do silêncio óptico
N’astúcia das cruzadas e palavras sábias…

IV
Nas sombras vertem sopros calmos de manhãs!
Não há ruídos, nem estrelas penduradas…
Teus passos poucos se entrelaçam nas vidraças
Mesmo no átomo repleto de coragem
A fúria do Pégaso Sereno se acalma,
Na multidão das Ondinas e dos Lagartos…
Nunca tentaste despertar meu sonho vítreo!

V
Sono que deleita Via Láctea noturna,
Ressoam com clarins a vastidão do mar
No estrondo fulminante de gritar no alto:
Teerã à vista! Terra à Vista! Celestial…
Murmurantes passos se estendem nas colinas,
Quando chuvas tombam e vão molhando corpos…
Lanças cravejam nos dragões, atando súplicas;;;

VI
Porões reais amotinando os poros todos
Telhando nuvens de algodão e lã-de-vidro
No monumento Arcano da União das Sombras,
Refletindo o acorde dissonante dos sonhos.
Moços, quase todos, deixam-Te fugir bela,
Mas não sabem que tua imagem vai além,
Escorrendo pelas mãos toda uma história…

VII
Andei quilômetros em busca de Deméter,
Caindo em vão, caindo em vão, caindo em vão…
Retirei-me nas horas vagas, como poucos,
E fui colhendo nos pomares de turquesas,
Sem saber que a safra te prenderia ao furto!
O chacal dos chacais com cintilante toga
Areja as folhas no tanger sublime mérito!

(Fev: 11, 1983)

Uma resposta to “Adágio Inacabado para Um Amor Completo”

  1. Ah, meu amigo!

    As referências que usa em teus poema me são tão familiares que fazem partir meu coração!

    E nem posso mais refugirar-me em meus escritos, para que minhas palavras não sejam censuradas.

    Palavras duras me silenciaram,
    Sendo ou não necessárias, isto não importa,
    Verdades doem, são elas cruéis,
    Mas tal qual uma referência de filme: não deixo de me emocionar!
    De lamentar!

    Invadi teu espaço, peço desculpas.
    Mas espaço falta-me, por ora;
    No que havia criado para mim, só posso agora
    usar palavras emprestadas.

    Abraços.

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