Pontes Estreitas em Caminhos Distantes – I

I Parte – O Monólogo

Vasculho tantas palavras
Que me sinto um rastreador de letras…
Pontes distantes,
O seixo é avistado do alto, bem do alto!
A ponte pende de um lado para o outro…
Sou um foragido dos kibutzim
Que nas gramíneas vi seixos
Não tão perfeitos como aquele
Que avista do alto da ponte!

Pergunto-me:
Quais seixos andarilhos
Percorreram sorrateiros
Tantos caminhos diferentes?

Haverá uma ponte
Que não seja tão estreita,
Ou que me torne um pêndulo
Desarrazoado nas alturas?

Andei por caminhos
Deveras formatadas e vazias…
Provei dos saquês colinescos,
Passei pelas tendas e dunas
Sentindo-me um Grão-Vizir,
Banqueteando tabules o sauce blanche,
Vinhos, frutas…
Nevei meu coração pelos desertos,
Ainda possuo na lembrança
O calor que minha amada me deixou!!!

É insisto em perguntar:

Porque estou tão distante
Ouvindo dos lugares ermos
Sons de um silêncio meu?
Sons de um silêncio meu!
Isso me faz pensar
Valeu-me tantos quilômetros
E não chegar a um ponto exato?
Leviano fui em pensar nisso!

Quem mais senão eu
Urrando pelas muralhas
Enviar-te uma mensagem?

Eu somente eu
Único entre os escombros…

Nem Parmênides de Eléia me julgou
Ante a minha inércia
Outorgada no meu impensável ser!

Socorro! Grito aos túneis da escuridão
Encontro outros gritos
Jazigos pensares funestos e vazios,
Ativos gritos do torpor…

Findam-se os dias
E com eles a coesão dos encontros…
Lendo Platão, teorizando idéias!
Idéias! Caio num esquecimento profundo
Zéfiros me acordam…

Numa simples recordação
Encontro-me em anamnesis.
Sou portanto, insensível aos atos…
Tolo por querer ser o que não posso ser:
Ator de um palco congelado
Vazio de pecados e sem fortunas
Idéias tão remotas dos meus caminhos,
Digo-lhe, portanto:
Ando condenado à sombra de um Mundo de Idéias!

Vasculho tantas palavras
Que me sinto um rastreador de letras…
Pontes distantes,
O seixo é avistado do alto, bem do alto!
A ponte pende de um lado para o outro…
Entre a mudança
E o movimento!

Pedras que precisam ser lapidadas
Por mãos que tragam mudanças na vida…

Pedras que precisam ser observadas
Por olhos que vejam o movimento da vida!

(Jan: 25, 2008)

Uma resposta to “Pontes Estreitas em Caminhos Distantes – I”

  1. Ah, a vida precisa de movimento… pra que ocorram mudanças. Boas andanças pra você, poeta andarilho, que o dinamismo lhe seja uma ponte larga, ampliando-lhe os caminhos, ou uma clareira ensolarada, que lhe preencha os vazios. Muitos beijos.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: