Luna Pubianna y El Sol Martin Pescador

Parte I – O Amor

Teus lábios eu mordi
No outono passado
De cerejas? Talvez!
A tua silhueta
Teu hálito sublime
Torna-me então um álibi…
Meus vícios são teus beijos!

Ataste-me assim
No calor dos teus lábios
És pubiannamente
Mulher, a minha gueixa!
O que és meu amor?
O nosso alucinógeno?
Amarras da paixão?
Somos ambos escravos!

Ouvi versos venéreos
Dos frios romanceiros,
As ruas ficam úmidas
D’indigentes amantes?
Delinqüentes errantes?
evidentes Cervantes?
Não sabem ser amor,
Só sabem sofrer!
Sonham com seus velórios
Pensand’em não sofrer
Mas sofrer o que é?
Um copo de amargura
Que toda criatura
Recebe sem saber?

Meios fios gravei-te
O teu nome inteiro
com o meu em carvão!
Pena que não durou!
Veio a chuva e lavou…
Cavou nosso romance
Num instante de dor!

Os teus sinais são belos,
Teu corpo é com’um cais,
Vou te avistando ao porto
Todas as cicatrizes
Marcadas em navios
Que se afogam no mar
Num gosto das salinas
Do teu útero ser!

Parte II – O Ódio

Bebem tuas salivas
Quais bêbados marujos…
À noite eles juram
O mais completo amor!
De dia vão embora
Desesperados de dores!
São fugitivos loucos
Que se perderam nus
Inocentes das docas!

Um bando de urubus
Que te blasfemam nomes
Que gesticulam blues
São todos eles xulos
Todos fogem quais lobos…
Arrotando Gin Tônica
Caem na fantasia
De te terem bebido
Com receios dadores!

Carregam nas mochilas
As suas vidas tortas
Que pensam como náufragos,
Que morrem como vítimas
De um abandono raro
Que tuas mãos pesaram!

A tatuagem fica
De vários canivetes…
Nos rostos pubianos
Da triste Pubiana
Que chora em qualquer canto!
Num canto triste chora,
Não se sente bonita
Não passa pó de arroz
No pubiano rosto!
O seu nécessaire
Tão cheio de mistérios
Brilha um estilete
E junto um bracelete
Tatuado seu signo:
Um bonito dragão!

Parte III – O Abandono

De todo o ritual
Vai molhando seus pulsos
Com água destilada
E álcool de cozinha,
Amarra seus cabelos…
Esfrega com carinho
Com gestos digitais
Talvez a única chance
De se fazer feliz!

Pubianna não quis
Nos braços alheios
Nem tentar ser feliz!

Tentou sempre fugir,
Sina de sua vida
Vida insinua vida!
Tenta fingir, por quê?
És Luna Pubiana
Que queres desta vida?
Retirastes enfim
Da mais amarga dor
do inculto prazer,
tiraste todo o gelo
que havia no corpo
mesmo no coração!
Um calendário Maia
Carregas em teu peito,
Dilaceras, portanto
A mortalha vital:
Tuas cinzas nuas
Luna sem compaixão,
Sol sem bordas no frio
Que saiu tão discreto
Foi embora sem dizer
Não tinha o que dizer,
Foi mágoa apenas, foi!

Parte IV – O Adeus

Alguém muito El Sol
Daquele que foi gravado
No peito da amada
Aquela que não tentou
Ser feliz, ser feliz!

Por tudo que se foi,
Num coração que dói,
E por remoer isso
El Sol não mais ficou…
Esqueceu sua boina
O camafeu de Luna
Esqueceu de dizer
Apenas um adeus….
Voltar? Talvez voltar….
Um dia, uma noite…
Mas se ela pedisse,
Se pubianamente
Enfim obedecesse!
Voltar? Talvez voltar….

Um recado deixou
Gravado no K-7,

“Ao meu amor, meu fim!”

Foi Cartola quem disse?
“Que sejas bem feliz!

(Mai, 26, 1989)

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