Banquete das Letras

by Daysi – (dai.lendo.org) in Madrigais Hispânicos de um Devorar Libertino

O que se faz quando um poeta sopra a vida
Pelas narinas de um ser cansado e triste?
O que poderia o andarilho desistente pensar
Ao tropeçar esgotado em tão belas palavras…
Eu guardo-as em meu alforje de caçador
Eu me alimento e durmo a tarde inteira?
Mas o que fazer quando o dia amanhecer
E o poeta se for libertino e risonho…

Fico com fome mais… ou devoro as letras
Que restaram entre as mãos dele sem as minhas?

Então, faço o quê? Durmo outra vez e sonho?
Será que ele volta e me traz mais alimento?

E agora minha barriga dói de emoção
O coração pula no recanto dos famintos.

Mas e se o poeta voltasse e eu o comesse
Com gastronômica liberdade de amar e morrer?

Poeta, não dê-me tanto alimento ou eu deixo
De ser magra e minha estranha compleição etérea

Pesará teus dias e serás meu alimentador eterno!…
Mas e depois, depois que eu pesar em ti?

Melhor seria morrer de fome, dormir pra sempre
A ter que perder o sabor de tuas palavras em minha boca…

(Jan: 17, 2008)

2 Respostas to “Banquete das Letras”

  1. São exatamente 15:19 hs.

    Acabei de fartar-me. Encontro-me entre arrotos e bocejos. E durmo tranquila. Só não poderei hibernar mais. Os ursos descansam enquanto o resto da fauna fareja aromas delas (nós).

    Beijo, poeta!

  2. “…Eu só queria ter um mato /com gosto de framboesa /pra correr entre os canteiros/e esconder minha tristeza…”

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