Apelos Melancólicos de um Andarilho Ateu VIII

Reconstituição

O caramelo chegou ao fim,
Bocas vermelhas,
Bordados em lençóis,
E não vejo motivo
Neste tango inútil
Dançar aqui
Por um pão,
Latas amassadas,
Papéis e papelões,
E não consegui voltar…
Pra ajeitas toda essa papelada,
Crítico,
Impávido,
Cínico estábulo dos apaixonados!

Retiro desta jornada,
Como se estivesse em Istambul,
Na beira do Ganges,
No Adriático perdido,
Na frigidez do Himalaya,
Restos de uma agenda esfarelada,
Num bolso rasgado,
Lembranças de academia,
Passeios pelos shoppings,

Hoje os amantes do nenhum,
Sem camisinhas se torturam
Anos depois,
Ficam um,
E agora? Amar feito alma úmida?

Vou te amar pela última vez
Se me abrires a porta,
Se não da frente,
Pelo menos, as porta do fundo,
E se não fosse pelo mau amor
Que te causei um dia,
Quero morrer no Andes,
Nos vales do Machu Picchu!
Num quanto de pensão,
Se peregrino eu for,
E se continuar sendo,
Beberei do amor todo veneno,
Se teu desejo for a dor…
Reconsideres meus deslises!

(Jan: 08, 2008)

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