Apelos Melancólicos de um Andarilho Ateu VII

Cortes

O mundo inteiro está perdido em mim,
Andei pelas Europas,
Rasguei tuas fotos em Pequim,
Cai nas mãos dos médicos,
Pra curar as minhas dores,
Me perdestes nas ruas do México…

Minha vida se tornou pesada
Nas andanças pelo Egito,
Areias, areias, minhas calçadas,
Minha efígie, meu mito!

Vasculhei nas bibliotecas inteiras
Dos mundos soviéticos,
Rasguei poemas de bobeira
E me perdi nos épicos!

Cheirei tuas danças de Andaluzia,
Cansei nas bordas de uma sacada,
E quem diria?
De novo na calçada!

Dei-te a outra face,
Beijaste na faca o gume,
Jornais, e a multidão estrangeira
Percebe em mim um ciúme!

As fonte jorravam Roses
Em nossa volta,
Agora tão árido e tão mesquinho,
Me ponho aqui no chão!

As paredes todas ruíram,
E o esquecimento e a solidão
Brotam, e sufocam os desejos,
Desertos! Desertos então?
Voltar?
Será que ainda sei amar!
Esqueci dos mus atos,
Perdi meus sapatos
Numa calçada qualquer…

Voltar?
Depois que o mundo se desfez?
Não sinto calor,
Me sinto febril!

Voltar?
A vida se encheu de clamores,
Se encheu de calçadas,
Se encheu de enchentes,
Bueiros romanescos é o que restou!

Voltar?
Pelas imperfeições,
Pelo resto de sorte,
Não tenho mais afeições,
Eu sinto o gosto da morte!

Voltar?
Quando se as chaves perdi,
Não há mais endereço,
E não tem o que faça
Desmanchar o nó no peito

(Jan: 07, 2008)

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