Apelos Melancólicos de um Andarilho Ateu III

Malas Perdidas

E quando bordavas os nossos lençóis,
E eu rasgava tua saia justa e insinuante,
Agia como amante devorador,
Que não quer saber dos limites,
Ou das coisas chinfrins…

Eram nas madrugadas que os seus sins
Aconteciam, e bordávamos lençóis,
E arrancávamos as fronhas
E espancávamos nossos beijos
Em nome das nossas vidas…

E agora me vejo do lado de fora,
Num martírio de entranhas,
num retiro de rum amargurado,
teu nome risquei da agenda,
e malas se perderam nos corredores…

Senti-me como aborto,
jogado num chão teatral sem chaves,
e sem juízo,
tudo agora esta morto,
sem razão e sem motivos!

Não falastes comigo,
Quando pensava em um projeto de vida,
Teu silêncio um castigo,
Teus adeus não são mais meus, acredito!

Içar pelas calçadas do abandono,
De querer ao menos uma volta,
Um retorno,
Impregnado num sorriso teu,
Teus escândalos de quem ama!
E pensar que ultrapassei os teus limites,
De que mordera tua carne…

E quando os teus ais ultrapassavam
As paredes…
Escondia-me sem roupas
Nas tuas vontades de loucura,
E como tortura, achavas tudo
Tão delicioso…

(Jan: 15, 2008)

Uma resposta to “Apelos Melancólicos de um Andarilho Ateu III”

  1. Por que será que poetas são tão bem amados e tão bom amantes?

    O mundo sem poetas talvez nem pudesse ser chamado assim.

    Querido, vc é sumidade por aqui, viu?

    Beijos🙂

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