O Livreiro e a Calçada Estreita

I – Tremores

Frio! Muito frio! E estou andando pelas calçadas estreitas…
Árvores se agitam com o vento que provoca arrepios!
Tudo parece distante! Os cafés não têm o mesmo gosto de antes!
Irresistivelmente, entro num sebo, como se ali fosse um esconderijo,
Manejo alguns livros amarelados pelo tempo,
Argumento em particular, o que estou procurando…

Transporto-me num tempo distante.
As páginas retiram-me por alguns segundos do chão,
“-Reservo-me o direito de sonhar!”
Disse eu ao livreiro.
“Então continues ai…!” – retruca o livreiro.
Livros livres!
Liberta-me também, e transcreve-me num lugar,
Impossível de se encontrar!!

Entre outras coisas, um vento rápido sacode as galerias…

As páginas alvoroçadas
Sentem medo! Acredito eu!

II – As Impressões

Página por página,
Amareladas ou não,
Livro por livro
Antigos ou não
Valiam peso de ouro!
Ricos tesouros,
Ali nas estantes em silêncio…
Silenciosamente, em silêncio!

“SILÊNCIO!” – diz a placa na sala principal.
Unanimemente todos, sem exceção,
São pensamentos vivos disciplinados…
São pensamentos ativos, rebeldes…
Um a um, foram cuidadosamente tecidos!
Rasgam-se páginas, mutilam-se motivos…
Rasgam-se os escritos, mas não a essência!
A essência começa nos átrio do nascer:
Dádivas dos primeiros aprenderes!
Augusta forma do crescer e aprender!
Sofismático modo de ser sábio!

Ontem, tive a nítida impressão,
Uma impressão que retratava o presente…

III – A Lição

Presente em minhas mãos,
Ainda trêmulas,
Lentas, pelas corridas que o tempo marcou!
Audaciosas, pois sobremaneira tateiam a vida,
Vida que se expuseram em lápis, crayons, em tinteiras…
-“Reservo o direito de ficar aqui!”
Atrevi-me a retrucar ao livreiro, que aparentava beirar um século.
-“Silêncio moço nos teus pensamentos!”

Salpicou o velho livreiro olhando-me por sobre os óculos!
E pude então entender dos porquês dos silêncios!
Minha ignorância fez-me calar a boca, sem precedentes!

Senti que alguns livros,
Entendiam a situação.
Não tive outra reação senão me dirigir até o livreiro.
-“Tens sentimentos, pobre homem?”
Impressionado replica com voz farfalhada:
“-Dos meus anos de vida, todos eles sempre foram meus companheiros!”
O velho então me deu um cartão de sua loja que dizia:

… “Mantenha-se em silêncio por um dia, e falarás com sabedoria para sempre. (pensamento hindu)” . Recolhi-me, e percebi que a minha vida era   uma calçada estreita!

(Jan: 11, 2008)

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